Ter um filho autista é conviver com sucessos e fracassos do seu filho na aprendizagem das coisas simples às mais complexas. Algumas coisas simples ele tem dificuldade enorme de aprender. Outras mais complexas, ele tira de letra. Porque a aprendizagem tem a ver com o interesse dele, e isso é muito limitado.

Por exemplo, ele não se interessou muito por bicicleta. Desde quando a ganhou, foram poucas vezes em que ele subiu nela. Talvez tenhamos falhado em brincar mais com ele, ainda que empurrando ele pra lá e pra cá. A consequência foi que ele não aprendeu andar de bicicleta. Não estou dizendo andar sem rodinhas. Ele não consegue andar sozinho nem com as rodinhas. Ele não consegue dar a volta inteira com o pedal e quando faz força para pedalar, faz força nas duas pernas ao mesmo tempo. Isso acontece desde os primeiros anos, quando tinha o “velotrol”.

Andar de bicicleta com rodinha é algo simples. As vezes as crianças se atrapalham para virar na direção correta, algumas demoram um pouco mais para dar a volta completa no pedal e vão pedalando até a metade. Mas a maior dificuldade é o momento de andar sem rodinhas. Mas para o Isaque, andar com rodinhas ainda é um desafio.

Outra dificuldade é fazer o movimento com os pés e o corpo que dão o impulso, por exemplo, num balanço. Ele não consegue, enquanto balança, fazer o movimento de estender as pernas e depois dobrar as pernas. Então, precisamos empurrá-lo o tempo todo nesse brinquedo.

Porém, fomos surpreendidos dias atrás quando decidimos ensiná-lo a nadar sem a boia do braço. Ele adora piscina/mar. E por isso, não podemos descuidar um só segundo. No ano passado, na chácara onde fazemos o retiro da igreja, ele pulou na piscina sem boia, ainda bem que várias pessoas estavam por perto e o pegou.

Então, nosso planejamento era de durante as nossas férias, onde passaríamos alguns dias na casa da minha mãe, ir aos poucos tirando a boia, ensinando ele a bater as pernas e os braços, boiar, deixando a gente menos preocupados com ele próximo de piscinas. Então, no primeiro dia de piscina, após ele nadar alguns minutos com a boia, entramos com ele na piscina para o “treino”.

Tirei a boia e segurei ele no braço. A Raquel ficou a pouca distancia e ele deveria nadar até ela (o treino seria ir aumentando a distancia aos poucos). A nossa surpresa foi quando ele saiu nadando sozinho, sem ajuda nenhuma. Não precisou nem de treino. Até brincamos dizendo: vai ver que ele já sabia nadar a bastante tempo, mas nunca tínhamos tirado a boia dele.

piscina

No começo ele nadava na vertical, mas não afundava porque ficava batendo os pés. Aos poucos foi aprendendo a inclinar o corpo e nadar horizontalmente. No fim da tarde já estava afundando a cabeça dentro da água, ensaiando um mergulho.

Agora, o que é mais fácil, andar de bicicleta ou nadar? Vai entender né! Assim é a nossa vida com um autista. Com sucessos e fracassos.

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  1. Angela Marques disse:

    Que lindo esse Isaque. . . Deixou muita gente pra trás tipo “eu” kkkk….. mas ele escolheu aprender o melhor…. antes saber nadar….. bicicleta vai conseguir ainda…. muito fofo!

  2. Ta aí a prova de que nossos filhos sempre nos surpreenderão, não importa suas limitações, eles sempre nos surpreenderão. Marcelo e Raquel, parabéns! Vocês são pais exemplares.

  3. Jacinta disse:

    Ah, ele provavelmente se lembrou de tudo que aprendeu enquanto crescia naquela piscina aquecida maravilhosa que ficava dentro do útero da mamãe…

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