O tema dessa semana foi a decisão do STF favorável ao aborto em caso de anencefalia. Longe de mim querer entrar nessa discussão, pois é um tanto complexa e tem fundamentos filosóficos e religiosos. Mas tenho uma indignação e uma preocupação:

A indignação é que sempre que o tema “aborto” vem à tona, fala-se em direito da mãe em escolher entre vida e morte, e pouco se fala em direito do bebê em escolher viver ou morrer. Fala-se do sofrimento da mãe e não se fala no sofrimento do bebê. Tem muita gente (médico, psicólogo, feministas, etc) pra defender a escolha da mãe, e tem pouca gente (alguns poucos religiosos) pra defender a vida do bebê. Esta é a minha indignação!

A preocupação é que, aos poucos, talvez inconscientemente, nós vamos fazendo um paralelo e colocando do lado direito o ser humano perfeito, inteligente e saudável, e do lado esquerdo o ser humano deficiente, limitado intelectualmente e doente. E quando começamos a fazer essa distinção, a separar o “perfeito” do “imperfeito”, logo surgem os preconceitos e pior, a inclinação para “matar” quem não se ajusta ao “padrão”.

A anencefalia do bebê pode ser descoberta através de um exame de ultrassonografia realizada a partir das 12 semanas de gestação. E agora, a mãe pode escolher interromper a gravidez (abortar) com esse diagnóstico em mãos.

A minha preocupação é que, cada vez mais a ciência consegue detectar doenças mais cedo (isso é muito bom), como é o caso também da síndrome de down, que pode ser detectado entre 14 e 18 semanas de gestação, e minha preocupação é isso dar espaço para a mãe ter o “direito” de escolher ter ou não um filho com síndrome de down. Minha preocupação é a mãe ter o “direito” de escolher entre ter ou não um filho com má formação física. Me preocupo em dar o “direito” da mãe escolher se vai ter o terceiro filho homem, ou se ela pode interromper a gravidez pra tentar ter a menina que a família tanto quer.

Pode parecer exagero da minha parte, mas quero lembrá-los que no passado, Hitler conseguiu convencer todo um país que, pessoas com qualquer tipo de deficiência (física ou mental) fossem exterminadas. Não seria mais difícil conseguir convencer a exterminar fetos que não podem se defender.

Onde quero chegar: E se a mãe soubesse em 12 semanas de gestação que teria um filho autista? Que esse filho iria exigir dela uma atenção maior, cuidados específicos, gastos extras no tratamento. Que talvez essa criança sofreria preconceito da sociedade, que sofreria bullyng na escola. Que teria dificuldades em se relacionar com as pessoas. Que talvez, essa pessoa, mesmo depois de adulta, iria continuar sendo dependente da mãe. Talvez não conseguisse trabalho e nem encontrar um cônjuge pra dividir a vida. Se a mãe soubesse de tudo isso com o filho ainda no ventre, o que ela escolheria?

Temo que no futuro não existam mais pessoas “diferentes” como o autista, o síndrome de down, o deficiente físico, etc. Não existam porque foi descoberto a cura para essa doenças, mas porque elas foram exterminadas no ventre por escolha de mães e pais.

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  1. Regiane disse:

    Sou fisioterapeta, trabalho com crianças especiais, sei de todas as dificuldades que uma família sofre quando tem um filho diferente, trabalho todos os dias com crianças que poderiam ser “descartadas” antes de ter a chance de vir ao mundo e escolher poder viver, só quem convive com essas crianças sabe o prazer de receber um beijo, um sorriso, um olhar ou só um toque deles. São crianças iluminadas, puras, verdadeiras e também fiquei indignada com a decisão STF, o homem tem cada vez menos respeito pelo ser humano e já não teme a Deus.

    • Marcelo Moura disse:

      Oi Regiane. Vivemos numa sociedade que fala tanto em proteger a natureza, os animais. Tem gente defendendo baleia, canário, cachorro, e não tem ninguém defendendo o bebê, o deficiente, o diferente. Que Deus tenha misericórdia de nós.

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