Geralmente as pessoas associam o autismo a viver num outro mundo. Sempre que comentamos que o nosso filho é autista, logo as pessoas pensam que ele vive num mundinho particular dele. Mas não é isso. Ele mora no planeta Terra, Brasil, São Paulo…

É verdade que as vezes a impressão que temos é que ele está “viajando”. Ele não responde quando chamamos. Parece não estar prestando atenção quando conversamos próximo dele. Mas é só impressão mesmo.

O fato dele não se conectar às outras crianças para brincar, interagir, não significa que ele não queira. Certo dia, enquanto algumas crianças cantavam na igreja, o Isaque começou fazer “bico” pra chorar. Imediatamente, eu e a Raquel entendemos que ele queria estar no meio das crianças cantando. Outro dia, algumas crianças estavam brincando de “roda-roda”, e o Isaque estava deitado no chão observando atentamente elas brincarem. Colocamos ele no meio da roda e ele ficou todo sorridente.

O autismo cria dificuldade de interação, não a torna desnecessária. Por isso, temos empenhado para colocá-lo na roda, no meio das brincadeiras, participando de alguma forma, junto das outras crianças. Primeiro, porque isso “força” ele interagir, mesmo que timidamente. Segundo, porque ele quer companhia, quer amigos, deseja estar junto. Pessoas precisam de pessoas! Isso vale também para os autistas.

Notamos dias atrás que, enquanto estávamos falando dele, das suas terapias, o que precisávamos fazer, algumas coisas que tínhamos que mudar para ajudálo, nós observamos que ele começou a chorar, e desconfiamos que era por que estávamos falando dele. Outras vezes, quando falamos dele pra amigos, ele fica distante dando risada, motrando que sabe que é dele que estamos falando.

Então, ele está nesse mundo! Embora sinta, observe e experimente esse mundo de uma forma diferente da nossa. Ele também deseja se conectar, embora não saiba como fazer. É aí que entra o papel dos pais. De fazer a parte de um facilitador para o filho. Colocar ele na “roda”, no meio da turma, pra que ele vá perdendo o medo, para que vá aprendendo a começar uma conversa, chamar para uma brincadeira, iniciar uma interação.

Como eu disse, a interação não é natural pra ele, mas é necessária.

 

 

Uma resposta »

  1. Talvez, seja nós que devemos entrar no mundo deles (autistas)

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